Quem disse que São Paulo não tem praia? Tem sim, mas é para poucos

Por Antônio Pimenta

Quem disse que a cidade de São Paulo não tem praia? Tem sim — e com vista panorâmica, areia importada, palmeiras tropicais e, claro, exclusividade máxima. Mas é para poucos. Muito poucos.

Estamos falando do mais recente fenômeno do mercado imobiliário paulistano: empreendimentos de altíssimo padrão que simulam clubes de praia a dezenas de andares do chão. Coberturas com piscinas de borda infinita, decks com areia branca, beach clubs, espreguiçadeiras, bar e um pôr do sol privilegiado sobre a selva de concreto.

Essa São Paulo com “praia”, que se revela longe do litoral, é a expressão mais atual da urbanização de luxo — um conceito que já deu as caras em lugares como Dubai, Cingapura e Nova York. Em vez de levar o morador até o paraíso, o paraíso é que é transportado, a peso de ouro, até ele.

O fenômeno global da “praia indoor”

Não é novidade que o mercado imobiliário de alto luxo adora flertar com o impossível. O Beachwalk em Dubai, por exemplo, oferece uma verdadeira costa artificial no meio do deserto. Na Marina Bay de Cingapura, o icônico SkyPark no topo do Marina Bay Sands recriou a sensação de um resort à beira-mar a 200 metros de altura. Em Miami, prédios como o Eighty Seven Park oferecem jardins tropicais suspensos que emulam uma experiência de resort — só que sem sair da suíte.

A lógica é sempre a mesma: vender um estilo de vida. Um cenário. Um sonho. E mais: valor agregado. Empreendimentos com esse tipo de apelo costumam registrar valorização acima da média, mesmo em mercados saturados.

O caso paulistano é especialmente curioso. São Paulo sempre foi vertical, mas agora, começa a ser vertical tropical. Um novo residencial promete uma “praia privativa”, com areia e ducha de água salgada. O novo conceito de “urban beach living” já movimenta R$ 40 mil por metro quadrado. Tudo isso longe do mar. Mas muito perto do poder aquisitivo de uma elite disposta a pagar — e caro — por exclusividade, privacidade e cenários instagramáveis.

Os incorporadores apostam na experiência sensorial: o cheiro de protetor solar, o som das ondas (artificiais), a textura da areia nos pés — sem trânsito, sem ambulante, sem garoa.

O futuro do viver-paraíso

A “praia de apartamento” não é apenas uma tendência estética. Ela aponta para um novo tipo de urbanismo: o que nega a cidade como ela é e tenta criar um mundo paralelo, sob medida, climatizado e com segurança biométrica. É, de certa forma, o ápice da bolha urbana.

São Paulo nunca foi sinônimo de mar. Mas agora, para quem pode pagar, ela oferece algo ainda mais raro: o privilégio de nadar contra a maré.

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